Me amparou junto as moscas
por larvas em gestação
me troçou com os restos
seduzindo mortalmente.

Arte me consumiu
as pontas dos dedos
os fins de semana
os começos das frases.

Arte me rangeu nos dentes
me mastigou e cuspiu
me escureceu os olhos
e os pumões por dentro.

Processou meu eu
duplicou meus ecos
transgrediu meu senso
meu ser possuiu.

Sem nada agora sou
fazedor dessa insubstância
imitador de sombras
delineador de vento.

Agora eu junto fezes
e cozinho larvas
como alface
e pólvora
pra pedir
desculpa
por ter
amado
arte.

oi amado
eu.